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Superman: Entre a Foice e o Martelo (2020)

Superman: Entre a Foice e o Martelo é sem dúvidas, uma das maiores histórias em quadrinhos do selo “Elseworlds” da DC. Porém sua nova animação que acabou de sair, peca em não ter coragem de fazer a adaptação total da obra e onde seu núcleo narrativo, é muito mal usado.

Superman: Entre a Foice e o Martelo

Vamos fazer o review em forma de perguntas e respostas, para facilitar o entendimento e para não entregarmos spoilers.

O enredo da ANIMAÇÃO é bom?

Se passando na Terra 30 do Multiverso da DC, esta animação começa nos contextualizando sobre o pequeno Kal-El nas fazendas comunitárias da União Soviética, onde ele começa a ter noção de seus poderes. Logo em seguida, já nos é mostrado as propagandas comunistas sobre a nova arma da União Soviética anos depois. Aparentemente, a animação tenta correr muito com os acontecimentos, pois ela tem a essência da HQ original, mas a aplica em formas diferentes do quadrinho. Stálin, Lex Luthor, Lois Lane, Superman… Todos estão ali, mas alterações do roteiro original, onde a narrativa foi adaptada para uma contextualização diferente. Portanto, a narrativa se difere do seu quadrinho original em sua grande maioria. Momentos icônicos como a luta do Superman vs Bizarro (Clone que Lex fez), não tem seu valor épico da narrativa original. Uma pena!

A animação trata das políticas e ideologias como na HQ?

Não da forma como deveria. A impressão que temos assistindo à animação, é que os produtores correram do mais importante na história: Como seres humanos com poderes de tomada de decisão, cometem atos egoístas e ditatoriais não importando a sua ideologia. Com certeza, não quiseram mostrar o comunismo da forma como ele é e nem a famigerada desigualdade do capitalismo, tudo em prol da paz nas redes sociais. Faltou coragem do estúdio em adaptar este ponto da narrativa corretamente. Isto faria, o enredo fazer muito mais sentido.

Houveram mudanças significativas para quem já leu?

Ah… com certeza. Assim como citado na pergunta acima, muitas mudanças aplicadas a trama acabaram por levar o roteiro para longe de seu conhecido final épico. Ao mudarem aspectos como o amor que a Mulher Maravilha sente pelo Superman para uma “ojeriza” de homens, ou como e quando Stálin morre, a animação tira a complexidade e motivações de Superman e Lex Luthor, os tornando apenas dois moleques brigando pra ver quem está errado. Estas mudanças inclusive, prejudicam o “plot twist” do fim, deixando o final totalmente previsível e tosco, mesmo para quem não leu a HQ.

O Superman vira aquele tirano utópico das HQ’s?

Sim, isto não muda. Mas muda a forma como ele faz e porque ele faz. Com algumas mudanças erradas de roteiro, ele fica muito mais parecido com o Superman Nazista da Terra X ou até mesmo o Superman de Injustice: Deuses entre Nós. Um fato notório na HQ, é que mesmo sendo do lado dos Soviéticos, seu heroísmo e bondade continuam, mesmo em suas decisões erradas (algumas delas claro, tomadas pelo seu egoísmo). Na animação, isto não acontece assim. Ele deliberadamente toma as decisões tirânicas na base da violência, em sua maioria.

E aí? Quem ganha? O Capitalismo ou o Comunismo?

Nos quadrinhos originais, nenhum dos dois vence. Na animação, não há declaradamente um vencedor, mas passivamente sabemos o que ocorre ao assistirmos o andamento do filme. O debate político que o quadrinho original tinha, era muito mais profundo e se mesclava com todos os acontecimentos durante a narrativa. Aqui, é só pano de fundo muito pobre. Mesmo falando sobre os “Gulags” ou a “decadência econômica” americana, tudo ficou tão mal contextualizado que chega a beirar a inocência.

Superman: Entre a Foice e o Martelo

E a ação de Superman: Entre a Foice e o Martelo?

A animação é muito boa neste sentido técnico. Os embates foram satisfatórios. É claro que em menos quantidade como no quadrinho (assim como citado acima, correram demais com a história). Neste detalhe, a animação não deixa nada a desejar.

E o Batmankoff?

O famoso “Batman anarquista“de Superman: Entre a Foice e o Martelo, foi muito mal trabalhado. Além de ter muito pouca relevância na animação, ele era muito mais cruel do que nos quadrinhos. Seu aparecimento na animação não causa o mesmo impacto que causa nas HQ’s, tornando tudo muito simplório. Embora seja uma história do Superman, esta versão do Batman na história tinha muito peso, fato que foi extremamente depreciado na animação. A mesma falta de cuidado no roteiro, foi aplicado a Mulher Maravilha, que também é ponto chave na história.

Superman: Entre a Foice e o Martelo vale a pena?

Se você não vai ler o quadrinho, é mais uma animação comum da DC. Ela mantém as mesmas qualidades técnicas já conhecidas das animações de sempre, mas peca totalmente na narrativa. Ela ficou tão pobre e previsível quanto a animação da saga Silêncio, do Batman. Se você pretende ler o quadrinho, leia antes de assistir a animação, para que a experiência que a HQ proporciona não seja estragada pela animação mais simplória. Vale a pena assistir para conhecer e conferir, mas está longe de adaptações mais fiéis como Batman: Ano UM, Cavaleiro das Trevas e outras. De qualquer forma, sempre indicamos a leitura da obra original, pela experiência que ela traz!

Superman: Entre a Foice e o Martelo

Embora este tenha sido um review muito mais pessimista do que o de costume, nem de longe é nossa intenção de que vocês deixem de assistir a animação. A arte toca as pessoas de forma diferente e talvez, a experiência de vocês seja melhor que a nossa.

Obrigado pela atenção, e até mais!

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Léo Palmieri

Pai, marido, nerd. Fã do Surfista Prateado e do Superman, juntou uma equipe de super-pessoas para trabalhar no projeto Crossover NERD com o intuito de divulgar o belíssimo mundo geek!

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