Bloody Mary – A vingança em um mundo caído

Bloody Mary – A vingança em um mundo caído

Bloody Mary, uma mini-série em 4 edições roteirizada por Garth Ennis e desenhada por Carlos Ezquerra em 1996, através de um novo selo adulto da DC Comics chamado Hélix, traz uma história de vingança em um mundo pós-guerra distópico.

Enredo

Em 1999, o mundo entrou em guerra. A Europa, tomada pelo fascismo e seguindo um líder que se utilizou dos mesmos discursos e atos da ascensão nazista, declara guerra à Inglaterra e seu aliado, os Estados Unidos. A guerra se arrastou por mais de dez anos e agora estamos no ano de 2012, onde a tecnologia de guerra está mais avançada do que nunca.

É aqui, que conhecemos a Cabo “BloodyMary Malone. Mary fez parte de um pelotão de assassinos altamente letais e eficientes durante a guerra, trabalhando para os Estados Unidos. Por seus atos e histórias desse período, ela ganhou o pseudônimo “Bloody” por ser uma assassina fria, rápida, letal e extremamente obediente. Após anos de serviço, Mary é acionada novamente por seu governo para localizar e coletar o “Sangue de Dragão“, um organismo/parasita vivo desenvolvido em um laboratório do Himalaia e que torna seu hospedeiro um super-soldado imortal.

Poderia ser só mais um quadrinho de uma missão militar em um mundo distópico… Mas não é!

Em Blood Mary, Garth Ennis nos dá um pouco do que o tornou um dos roteiristas mais famosos do mundo: Os elementos psicológicos e bizarros de uma humanidade caída. É muito comum em outros quadrinhos famosos que Ennis roteirizou, vermos o quão baixo a humanidade pode cair e não ter um pingo de redenção para ela. Aqui em Bloody Mary, nestas quatro edições, não é diferente. Embora não seja uma “run” longa, onde geralmente Ennis trabalha muito mais os elementos narrativos que gosta tanto de utilizar, as quatro edições desta mini-série servem como uma ótima porta de entrada para quem gostaria de conhecer o trabalho do roteirista. Levando o exposto em consideração, é possível afirmar que Blood Mary não é obviamente seu trabalho mais primoroso, agradável ou qualquer outro adjetivo em si. Mas, é um trabalho que de fato traz a essência de Garth Ennis. Vale também destacar, o trabalho dos desenhos de Carlos Ezquerra, que mesmo dentro da histeria artística dos anos 90 (ou melhor, já em sua derrocada no fim da década), conseguiu manter uma boa narrativa visual da trama.

Agora, vamos falar de uma parte da trama, e que relendo hoje, me deixou pensativo. Garth Ennis sempre gostou de trabalhar o quão ruim o ser humano pode chegar a ser…

E ele consegue!

Em Bloody Mary somos apresentados a Jerome Rochelle, o “Europresidente“, que unificou a Europa com guerras, genocídios em massa, armas químicas e nucleares. Um homem que estabeleceu sua base no Vaticano e usa da Religião e discursos populistas para efetuar suas manobras políticas e se perpetuar no poder. A ascensão de Rochelle ao poder se deu de forma semelhante à Hitler no período do Reich, começando com apenas uma ideia e no final, se utilizando inclusive da Eugenia como uma de suas “soluções” mundiais. O paralelo de realidade aqui é absurdo, se levarmos em conta como hoje, 2022, conseguimos ver isso em muitos líderes ao redor do mundo.

Bloody Mary

Rochelle então, é contatado por Anderton, um homem que no passado foi o líder do pelotão de assassinos que Mary fez parte e que, oferece à Rochelle, uma oferta de venda do “Sangue do Dragão“, item que faria os exércitos de Rochelle invencíveis e que finalmente, traria a vitoria da Europa Unificada contra a Inglaterra e os Estados Unidos. É aí, que a missão de Mary se torna muito mais do que pessoal, já que no passado, Anderton assassinou à sangue frio todo seu pelotão e tentou eliminar Mary. Os pais de Mary morreram em sua frente e ela quase foi morta por Anderton, mas ela sobreviveu.

Bloody Mary

A partir daqui, a trama se desenrola em uma vingança desenfreada, coberta de muito ódio por ambos os personagens da trama, desde os coadjuvantes, aos principais. Bloody Mary poderia apenas ser mais uma história de humanos se matando pelo motivo de estarem sempre errados, mas como Garth Ennis é fissurado em chocar seus leitores, aqui ele choca pela identificação das figuras da trama com o que existiu, existe, e vai continuar existindo.

Bloody Mary

Bloody Mary vale a pena?

Os anos 90 foram marcados pela histeria artística, roteiros duvidosos e até mesmo, várias tomadas de decisões editoriais furadas. Mas, uma coisa não podemos negar: Sempre tem um Quadrinho que pode surpreender! Bloody Mary está longe de um clássico ou quem sabe, algo revolucionário na nona arte. Ela está mais para uma história sobre o ser humano em busca de poder ou vingança, do que só um plot twist elaborado. Mas como citei acima, o paralelo de realidade da trama chamam muito à atenção e serve até mesmo, como um aviso do caminho que a humanidade está tomando. Portanto, recomendo a leitura do gibi. Vale lembrar, que existe uma Mini-Série que continua as histórias de Mary, mas que ficará para outra ocasião.

Caso queiram comprar Bloody Mary, infelizmente só tem a versão em Inglês na Amazon ou, se você procurar nos Sebos de sua cidade, já que é um trabalho que nunca mais foi republicado aqui no Brasil.

Espero que tenham gostado deste humilde review, até mais!

Léo Palmieri

Léo Palmieri

Pai, marido, nerd. Fã do Surfista Prateado e do Superman, juntou uma equipe de super-pessoas para trabalhar no projeto Crossover NERD com o intuito de divulgar o belíssimo mundo geek!

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