O Rei dos Kickboxers (1990) – Momento Nostalgia

O Rei dos Kickboxers (1990) – Momento Nostalgia

O Rei dos Kickboxers, um clássico dos filmes de luta nos anos 90, marcou por trazer além de boas lutas, um roteiro de vingança em meio a uma organização de filmes clandestinos. Inaugurando o Momento Nostalgia, acompanhe a crítica desse filme.

Informações e enredo

O Rei dos Kickboxers tinha como diretor Lucas Lowe, já conhecido por outros trabalhos dessa era dos filmes de luta, como American Shaolin e Irmãos Kickboxers e em seu elenco, duas estrelas em ascensão nos filmes desse período: Loren Avedon e Billy Blanks. O filme trazia também, Sherrie Rose como par romântico do protagonista.

Um dos mais subestimados astros dos filmes de artes marciais, Loren Avedon é o protagonista Jake.

O enredo têm como premissa, o clichê mais comum dos filmes de artes marciais: A Vingança. Loren Avedon (faixa preta oitavo grau de Hap Ki Do e quinto grau de Tae Kwon Do) vive Jake Donahue, um policial casca-grossa que tem costume de trabalhar infiltrado para desmantelar organizações criminosas. Sua missão neste filme é viajar até a Tailândia para se infiltrar em uma organização que produz filmes de artes marciais, mas que durante as filmagens, as pessoas são mortas de verdade durante os combates. Além de tudo, estes bandidos são fortalecidos pelo tráfico de drogas local. O Que Jake não esperava, é que a grande “estrela” destas produções, era o perigoso lutador Khan, vivido por Billy Blanks (sete vezes campeão mundial de Karatê, além de ser faixa preta sétimo grau de Tae Kwon Do). No passado, Khan assassinou à sangue frio (E com as mãos livres!) o irmão de Jake na sua frente, após o mesmo ter se tornado campeão de artes marciais em Bangkok, contrariando os bandidos que queriam que ele perdesse. Além do motivo já citado, Khan diz que não podia existir um campeão estrangeiro na Tailândia.

A vingança, clichê de sempre nos filmes de luta, também move o filme aqui

Então, Jake parte para uma jornada para destruir a organização criminosa e ao mesmo tempo, se vingar de Khan pela morte de seu irmão.

Crítica do Filme

Eu escolhi começar essa seção “Nostalgia” com o Rei dos Kickboxers, pois este filme foi sensação entre a molecada nos anos 90. Aqui em minha cidade por exemplo, este filme era totalmente disputado nas locadoras de VHS e era constantemente exibido na TV. Por muitas vezes, o filme era chamado de “O Primo Pobre” de Kickboxer: O Desafio do Dragão, um dos filmes de maior sucesso de Jean Claude Van Damme. Geralmente, essa comparação ocorria pelo motivo dos dois filmes terem plots e desenvolvimentos semelhantes. Porém, durante a exibição do filme, é possível ver muitas diferenças e decisões pesadas no roteiro, que fazem os filmes não terem tanta semelhança assim.

Capa do VHS de O Rei dos Kickboxers da extinta TOP TAPE

Um dos detalhes mais importantes desse filme, é que Jake é um policial já cheio de costumes e marra. Um cara que já vive com o perigo constante e com tendências totalmente suicidas. Além de trabalhar infiltrado, Jake faz questão de mostrar para os bandidos que ele os estava enganando. Isso o torna um perigo até mesmo para a força policial. A questão de Khan estar ou não envolvido com a organização em si, é só mais um chamariz para que Jake se candidate para a missão.

Um protagonista que ri da cara do perigo, e que luta muito bem. Receita de sucesso!

Agora, falando sobre Khan, é importante frisar que Billy Blanks nesse papel, se tornou um dos maiores vilões dos filmes de artes marciais no período. Entendo que Chong Li de O Grande Dragão Branco, Tong Po de Kickboxer: O Desafio do Dragão e General Fujita de Lutar ou Morrer, são vilões difíceis de serem batidos, mas Khan chega perto e ainda se utilizando dos mesmos recursos de roteiro: Um cara que luta demais, é mal pra caramba e fala muito pouco, soltando frases de efeito em alguns momentos. Afinal, ninguém gosta de vilões que falam demais em filmes de luta mesmo. A título de informação, Khan foi o personagem que inspirou a Capcom na criação do personagem DeeJay, de Super Street Fighter 2.

Billy Blanks deu vida ao icônico Khan, um dos maiores vilões dos filmes de artes marciais

Neste filme, temos como par romântico do protagonista, a belíssima Sherrie Rose, interpretando Molly. Aqui, o que mais deixa buraco nos roteiros, é como Molly vai parar no meio dos bandidos, como uma oferenda para o vilão Khan. Molly é salva enquanto foge dos bandidos por Jake, e aí começam um relacionamento. O curioso, é que a atriz Sherrie Rose foi uma das últimas atrizes que entraram no elenco, e teve vários problemas com a direção e com o próprio Loren Avedon, a que ela acusava de ser extremamente indelicado com ela. Um dos outros motivos de conflito nas gravações, é que o diretor queria que ela ficasse nua em uma cena, onde ela se recusou. Eles entraram em um acordo em uma cena onde ela aparece apenas de topless em poucos segundos do filme.

O Rei dos Kickboxers
Sherrie Rose é Molly, que faz par romântico com Jake no filme

E é claro, não podemos esquecer de outro clichê: O Mestre errante de artes marciais que ensina os segredos para o protagonista. A cada dez filmes da “Era Kickboxer“, pelo menos sete desses filmes tinham um mestre que ensinava truques secretos e técnicas milenares para os protagonistas. Em O Rei dos Kickboxers, isso não é diferente. O curioso é que aqui, tem uma novidade! O Mestre Prang, vivido por Keith Cooke (treinado em Wushu, Karatê e Tae Kwon Do) foi um dos homens que conseguiu lutar de igual para igual contra Khan, mas por um momento de distração foi derrotado. Mas sobreviveu ao combate. Sim! Jake percebe durante o filme que ainda não é páreo para derrotar Khan, que além de tudo, tem uma técnica de chutes devastadores que matam seus oponentes facilmente, técnica essa que seu irmão havia sido assassinado por Khan dez anos atrás. Como todo bom filme dessa época, o treinamento é insano e traz as famigeradas aberturas de pernas no melhor estilo “dói só de ver“.

O Rei dos Kickboxers
Prang, vivido por Keith Cooke, é o mestre que ensina os segredos para derrotar Khan à Jake

Quanto aos combates, é notável que o filme é acima da média da época. As lutas eram bem coreografadas e traziam bons atores da época. Porém, Billy Blanks chama muita a atenção por seu estilo plástico de combate. Loren Avedon por sua vez, possui muita velocidade e chutes muito bem aplicados e a luta final entre os dois, que ficou icônica por ser feita em uma Gaiola de Bambu cheia de pontas, é de longe o melhor combate do filme.

O Rei dos Kickboxers
Loren Avedon e Billy Blanks nos deram uma ótima cena de luta final

O Rei dos Kickboxers, AINDA vale a pena?

Uma coisa é certa, após Ong Bak (2004) ter colocado os filmes de artes marciais em outro patamar de coreografias, truques de câmera e violência, a grande maioria dos filmes de luta dos anos 80/90 ficam extremamente datados. Mas, isso não tira o charme destes filmes. Aliás, mostra que filmes de artes marciais viveram uma constante evolução desde que se tornaram populares no início dos anos 70. O Rei dos Kickboxers é um filme que merece ser assistido não só pelas lutas em si, mas como prova de que a indústria tentou de várias formas se manter viva dentro de um ambiente onde blockbusters de computação gráfica ou filmes de exército de um homem só faziam muito sucesso. Loren Avedon e Billy Blanks dão um show à parte de artes marciais no filme e entregam uma hora e meia de bom entretenimento.

O Rei dos Kickboxers
Mesmo sendo um filme de uma era já distante, O Rei dos Kickboxers ainda continua um dos melhores do gênero

Então, essa crítica nostálgica fica por aqui. E vocês? Se lembram de O Rei dos Kickboxers? Gostavam quando eram mais novos? Gostam ainda hoje? Deixem aí para nós nos comentários! Até mais!

Léo Palmieri

Léo Palmieri

Pai, marido, nerd. Fã do Surfista Prateado e do Superman, juntou uma equipe de super-pessoas para trabalhar no projeto Crossover NERD com o intuito de divulgar o belíssimo mundo geek!

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