Kickboxer: Dragão de Fogo (1991) – Momento Nostalgia

Kickboxer: Dragão de Fogo (1991) – Momento Nostalgia

Kickboxer: Dragão de Fogo é um daqueles filmes de artes marciais que tentaram um roteiro diferente, mas que não se salvou dos clichês. No Momento Nostalgia de hoje, relembre um dos filmes mais lembrados no extinto quadro Força Total da Band.

Informações e Enredo

Kickboxer: Dragão de Fogo foi dirigido por Lou Kennedy e Brandon De-Wilde, sendo esse o único filme creditado para esses diretores. Sendo mais um dos filmes da saudosa e prolífera “Era Kickboxer“, o filme tinha tudo que nós, fãs desses filmes, tínhamos direito: porradaria, vilões, trilha sonora e gente se envolvendo na briga dos outros.

Em seu elenco, tínhamos como dupla de irmãos protagonistas os atores Jonathan’ Ke Huy Quan (Mais conhecido em seus papéis de Dado em Goonies e Short em Indiana Jones e o Templo da Perdição) e Eddie Saavedra (Sendo Kickboxer: Dragão de Fogo, seu único filme em sua carreira de ator). O filme contava com uma gangue de vilões dos atores Jerry Trimble (Conhecido por seus papéis em O Mestre e Fogo Contra Fogo), Bolo Yeung (O Eterno Chong Li de O Grande Dragão Branco) e outros atores desconhecidos na época. Como o famoso “mestre” que ensina técnicas extras para os protagonistas, está o desconhecido ator Ed Neil.

Kickboxer: Dragão de Fogo
Os protagonistas Tony e Charlie

Agora, vamos ao enredo… Michael Moore (Jerry Trimble) é um veterano do Vietnã e mestre de Artes Marciais, amado e idolatrado por seus dois filhos Charlie e Tony (Huy Quan e Saavedra, respectivamente). Sua técnica e habilidade são respeitadas por seus adversários, sendo um exemplo para seus dois filhos que tem um talento nato para as artes marciais. Mas o que seus filhos não sabem é que Michael Moore é um criminoso que comanda uma gangue de artistas marciais extremamente perigosa. Após um assalto à banco, Michael e sua gangue dividem o molde das chaves para o cofre do espólio onde o espólio do roubo está armazenado e ao mesmo tempo, tenta continuar persuadindo o gerente do banco roubado, Alan, vivido por Alan Tackett. Alan foi um dos veteranos do Vietnã junto a Michael e é o tempo todo, forçado a ajudar a gangue do vilão em seus golpes. Ao tentar sair deste esquema, Alan e sua esposa são violentamente assassinados por Michael e sua gangue. A filha de Alan, Annie (Laura Hamilton), consegue escapar com vida.

Kickboxer: Dragão de Fogo
Michael Moore (Jerry Trimble), o grande vilão do filme

Annie tem em sua posse uma carta endereçada para David Moore, irmão de Michael e também outro veterano do Vietnã. A carta continha um pedaço do molde para a chave do cofre (O molde é feito em uma massa de pizza de borracha). David, não sabendo da história como um todo, leva a garota Annie até a casa de seu irmão Michael, para ficar abrigada lá junto à seus filhos e sem saber que Michael de fato, é o líder criminoso e assassino dos pais de Annie. A partir daí, os capangas de Michael tentam sequestrar Annie e roubar sua parte do molde. Este desenrolar, faz com que os jovens Charlie e Tony presenciem o alto nível de artes marciais de seu tio David e pedem à ele que os ensine, para que eles também possam ajudar a proteger Annie dos bandidos.

Kickboxer: Dragão de Fogo
David treinando Tony e Charlie

Crítica do Filme

Kickboxer: Dragão de Fogo, é um filme muito emblemático e nostálgico para mim. De longe, o motivo principal que faz este filme ser marcante em minha vida, é na verdade meu irmão mais novo. Nós começamos juntos nas artes marciais e treinamos em dupla durante muito tempo. Os irmãos Tony e Charlie no filme, me causou imediata associação na época. Vale lembrar também, que em meados dos anos 90, ainda éramos bombardeados com filmes de ação explosivos dos anos 80 e os filmes de artes marciais, pelo menos pra mim que era praticante, eram um grande diferencial. Por isso, esse filme me marcou demais.

Porém, quase 30 anos depois…

Kickboxer: Dragão de Fogo
Capa nacional de Kickboxer: Dragão de Fogo

O que posso dizer em primeiro lugar, é que o filme realmente envelheceu mal. Embora ele tenha algumas boas lutas (A luta de Michael e David Moore na boate com a luz piscando, é muito boa e criativa), o roteiro que foge do clichê vingança e outras coisinhas mais, a receita de bolo desanda demais. O filme é cheio de situações “porquê sim!“, fazendo com que espectadores mais atentos, tenham a impressão de estarem vendo algo muito pastelão. Além de algumas interpretações, que são cafonas e forçadas, como os irmãos Charlie e Tony comemorando o troféu no começo do filme e um corte brusco para o covil dos bandidos, lembram esquetes do Zorra Total.

Algumas boas lutas, mas com situações extremamente caricatas e fora de hora

Dentre os irmãos protagonistas, Charlie é extremamente forçado na comédia, e seu irmão Tony tenta ser sério, mas o roteiro meio que o força o tempo todo estar dentro do conteúdo humorístico do filme. Lembrando que, estamos falando de um filme de artes marciais do meio da “Era Kickboxer“, a intenção aqui é a porradaria, e o filme tenta a todo momento minimizar o fator violência com comédia. Isso pode dar certo quando a comédia acontece nos momentos corretos. Aqui, rola piada até na hora do quebra pau.

Uma das situações do filme é que Charlie na verdade, é um filho adotivo de Michael Moore. Durante a guerra no Vietnã, Michael atirou à esmo em um abrigo e matou uma mulher inocente. O pelotão de Michael e David encontram junto ao cadáver da mulher, seu filho ainda bebê. Então, David diz a Michael que o garoto agora era sua responsabilidade. Do filme todo, a parte que mais me pareceu criativa e bem trabalhada, é essa. Essa cena também serve pra mostrar, que Michael é um assassino sem escrúpulos, e ajuda a confirmar sua vontade de matar.

Um flashback da guerra do Vietnã, para mostrar o passado de Michael, David e do pequeno Charlie

O filme é entupido de bravatas e frases de efeito, ao melhor estilo “vou acabar com você!”. O mais curioso, é que as bravatas são jogadas à esmo o tempo todo e de qualquer personagem para outro. Até a garoto Annie ouve bravatas. Isso torna o filme ruim? Não, não torna. Mas ele é muito datado, e as várias situações forçadas no filme hoje em dia, podem desagradar demais aos espectadores mais acostumados a tramas elaboradas. E convenhamos… bravatas que não são cumpridas, não são bravatas de respeito!

Agora, um fato bem curioso…

Bolo Yeung, o nosso eterno Chong Li de O Grande Dragão Branco, é um dos capangas de Michael Moore no filme e claramente, um dos melhores lutadores no longa. Porém, ele de longe, é o ator mais famoso aqui e foi usado nas capas do VHS e poster de cinema do filme, para tentar alavancar o sucesso do longa. Porém, mesmo lutando muito bem, sua atuação é extremamente caricata (ele vestido de uma senhora idosa no assalto à banco é hilário) e ele é só mais um saco de pancadas no filme. Outros filmes deram atenção muito melhor à este grande ator do que este aqui.

Capa promocional do filme, com Bolo Yeung na capa

Agora, sobre o “mestre errante” David Moore. Claramente, David é um especialista em Kung Fu, que me pareceu Shaolin do Norte ou na melhor das hipóteses, um Wushu Moderno (Se alguém tiver a certeza, deixem aí nos comentários, por favor!). David é um mecânico e se tornou alcoólatra, obviamente pelas suas experiências no Vietnã e curiosamente, parece ser a bússola moral do gerente de banco Alan. Essa situação, faz David cair de gaiato na situação toda. Seus sobrinhos Tony e Charlie ficam admirados com seu estilo de combate efetivo (De fato, o ator Ed Neil é bem habilidoso) enchem o saco para serem treinados por ele. Os garotos só recebem aprovação de David, após eles causarem uma situação em uma boate onde David tem sua perna fraturada por seu irmão Michael (Fato que David não consegue ver durante o combate, já que a luta é uma boate escura e com a luz piscando o tempo todo). Daí pra frente, seguem as famosas rotinas de treinamento dos filmes da “Era Kickboxer“, onde os garotos desenvolvem suas habilidades e se tornam lutadores melhores.

David supervisionando o treino de seus sobrinhos

A dupla de protagonistas Charlie e Tony são de fato, o que faz o longa ser especial. Primeiramente, pela dinâmica dos dois e também, por ser um dos poucos com este tipo de interação (geralmente em filmes de luta da época, os irmãos eram sempre inimigos). Vale lembrar, que os atores lutam muito bem. Isso é bacana de se ver até, pois infelizmente o filme possui alguns ângulos de câmera muito ruins durante as lutas e a desenvoltura dos garotos, foi um ótimo diferencial. Dentre as várias lutas do filme, uma das mais curiosas e divertidas é quando Tony e Charlie enfrentam um trio de anões em um bar. Isso sim, foi bem engraçado!

Para o desfecho, e com toda a certeza o que faz o filme piorar na nota, é que parece um roteiro muito corrido e que no final, não levou à lugar algum, a não ser uma luta final de Michael Moore contra seu filho adotivo, Charlie. Michael claramente tinha a intenção de trair seus comparsas, mas a situação foi tão mal roteirizada, que chega a ser deprimente. A luta final tem um drama todo envolto ao passado de Michael no Vietnã, mas o conjunto da obra acaba não causando nenhum tipo de comoção.

Mas, essa não é bem a luta final do filme… Os irmãos Charlie e Tony se desentendem e vão tirar a diferença em um torneio de artes marciais.

O filme tem algumas lutas muito boas

Pra finalizar, vale lembrar que o grande Paul Hertzog compôs a trilha sonora deste filme também. Ela de fato, chama à atenção e é agradável. Tem no Spotify para ouvir.

Kickboxer: Dragão de Fogo, AINDA vale a pena?

Assim como outros filmes desse Momento Nostalgia aqui do site, sempre vale assistir pela curiosidade. Mas, o filme é bem datado pelo aspecto cinematográfico atual. Porém, ele tem uma boa trilha sonora, algumas lutas de qualidade e um roteiro que tenta ser diferente da mesmice da época. Como produto de seu tempo, ele estava enquadrado na proposta e de certa forma, se saiu bem. É uma pena que não vimos muito mais de atores como Saaveera e Ed Neil, pois ambos são bons lutadores.

Então, essa crítica nostálgica fica por aqui. E vocês? Se lembram de Kickboxer: Dragão de Fogo? Gostavam quando eram mais novos? Gostam ainda hoje? Deixem aí para nós nos comentários! Até mais!

Léo Palmieri

Léo Palmieri

Pai, marido, nerd. Fã do Surfista Prateado e do Superman, juntou uma equipe de super-pessoas para trabalhar no projeto Crossover NERD com o intuito de divulgar o belíssimo mundo geek!

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