Kickboxer: A vingança do Dragão (2016) – Uma ode a má vontade

Kickboxer: A vingança do Dragão (2016) – Uma ode a má vontade

Kickboxer: A vingança do Dragão é um filme dirigido por John Stockwell em 2016 e que tinha a missão de ser o remake de um dos maiores sucessos dos filmes de luta dos anos 90, Kickboxer: O Desafio do Dragão de 1989. Acompanhe abaixo, nosso review do filme.

Enredo

Kurt Sloane (Alain Moussi) e seu irmão, Eric Sloane (Darren Shahlavi), são campeões de uma dinastia de lutadores na Califórnia. Após vencer um campeonato mundial de artes marciais, Eric é atraído pela sombria produtora Marcia (Gina Carano) para lutar sem regras na Tailândia enfrentando o campeão local, o famigerado Tong Po (Dave Bautista). Mesmo contra os pedidos de Kurt, Eric decide encarar Tong Po e é morto pelo Tailandês durante o combate. Agora, Kurt procura vingança contra Tong Po e será treinado pelo antigo mestre de seu irmão, o lendário Durand (Jean-Claude Van Damme).

Dave Bautista, como Tong Po

Parecia uma ótima ideia! Mas…

Olha… Após assistir ao filme, pensei muito se faria uma crítica sobre ele. Saibam, eu não sou um estudante de cinema. Sou apenas um fã incondicional do cinema de artes marciais e como fã desse subgênero dos filmes de ação, eu realmente valorizo muito mais a filmagem, os combates e a qualidade das artes marciais empregadas no filme. Com relação a roteiros, eu geralmente ativo a suspensão de descrença para eles . Para ser justo, fora filmes de contexto histórico ou roteiros policiais, 90% dos filmes de artes marciais tem a vingança como roteiro. E aqui, obviamente, não é diferente.

Se o querido leitor assistiu Kickboxer: O Desafio do Dragão de 1989, estrelado por Jean-Claude Van Damme, presenciou algumas coisas marcantes. Em primeiro lugar, uma estrela em acensão no cinema dos filmes de ação. Em segundo lugar, uma trilha sonora marcante cheia dos clichês sonoros dos anos 80. E por último, um vilão poderoso e que coloca medo. Kickboxer: A vingança do Dragão veio com a premissa de reviver e quem sabe, melhorar o clássico filme original. Porém, neste remake de 2016, com o alto nível tecnológico que o cinema tem hoje, com um elenco composto de 98% de artistas marciais e um orçamento maior do que o filme original teve, o que temos de resultado chega a ser ofensivo de tão ruim e em minha humilde opinião, um dos maiores fiascos dos filmes de artes marciais de todos os tempos. E sim querido leitor! Esse filme é pior do que qualquer trasheira da Ninja-Mania ou da Era Kickboxer e o pior de tudo, ele claramente não se esforça para ser algo maior.

Kickboxer: O Desafio do Dragão de 1989, Um dos maiores filmes da carreira de Van Damme

Quando o elenco do filme estava sendo montado, haviam especulações de que quem viveria o protagonista Kurt Sloane, seria o atual grande astro dos filmes de artes marciais, Scott Adkins. Mas, por motivos que até hoje não foram divulgados, ele saiu do elenco bem antes das filmagens e quem pegou o papel foi outro ator que está lutando por seu lugar no meio dos filmes de artes marciais, o canadense Alain Moussi.

Alain Moussi, o escolhido para viver Kurt Sloane no remake

Alain Moussi é treinado em Brazillian Jiu-Jitsu e Kickboxing, e tem uma incrível desenvoltura com chutes. Em seu Instagram, ele mostra muitas cenas que costuma coreografar como dublê. Tecnicamente, ele é um ótimo artista marcial. Já foi dublê em muitos filmes e tem experiência de lutar na frente de uma câmera.

E é aí, que mora todo o problema do filme: Lutar na frente das câmeras.

Saibam! Existe um ABISMO entre ser um ótimo lutador profissional e entre ser um artista marcial para os filmes. Mas, a magia do cinema está aí para tentar colocar tudo nos eixos com ângulos de câmera, coreografias criadas para as situações certas e o mais importante de tudo: NÃO TREMER A DESGRAÇA DA CÂMERA NO MEIO DE UM COMBATE!

Como eu havia citado, o filme é entupido de artistas marciais no elenco. Temos estrelas do UFC como Georges St. Pierre, Cain Velásquez, Gina Carano e outros. Para viver o grande vilão Tong Po, o ator escolhido foi Dave Bautista, mais conhecido por seu papel Drax em Os Guardiões da Galáxia. Dave Bautista também já foi lutador no UFC e teve uma carreira também na WWE, o circuito de luta-livre norte-americano. Para completar a receita de bolo, Jean-Claude Van Damme, que foi Kurt Sloane no primeiro filme, aqui vive Durand, o mestre de artes marciais que vai treinar Kurt para enfrentar Tong Po.

Kickboxer: A vingança do Dragão
O Campeão do UFC, Georges St. Pierre, é um dos atores do elenco do filme.

E aí querido leitor, você pensa: “Como um cast inteiro de lutadores e ainda mais Van Damme, pôde dar errado?“. Pois é… Como eu disse no título, MÁ VONTADE.

Para ser justo, o filme original hoje em dia, é extremamente datado. Ele é um produto de sua época, mesmo sendo o segundo melhor filme da carreira de Van Damme e um símbolo dos filmes de artes marciais. Ou seja, o filme não é um cidadão Kane cinematográfico, mas de longe, é um dos melhores filmes do subgênero de artes marciais. Levando isso em consideração, um remake deste filme, seria um sucesso total entre caras como eu, que cresceu assistindo esse tipo de filme quando era moleque e que de certa forma, continua um fã destes filmes. Sinceramente, eu reassisto estes filmes numa boa, sem neuras e sem ficar esquentando muito. Porém, minha atual experiência de vida, me faz questionar muito do que acontece ali e me mostra o que de fato, nos faz ter a memória afetiva por estes filmes. Sendo assim, considero que um remake de Kickboxer seria acerto garantido. Mas não foi… Nem de longe.

A começar pelas atuações. Elas são horríveis, forçadas, em determinados momentos, até mesmo caricatas. O filme passa uma impressão de que o vilão do filme, Tong Po (Dave Bautista), se considera um Deus dos combates, sendo cultuado por um grupo de lutadores e inclusive, sempre sendo anunciado por um orador antes de qualquer coisa que faça. Aqui, Tong Po não têm associação alguma com o crime organizado/tráfico de drogas Tailandês e sim, que ele investe seus recursos em procurar bons lutadores para desafiá-los através de sua “fight runner” Marcia (Gina Carano), matá-los em combate (só nocautear não basta, tem que matar!) e depois, uma parte do dinheiro adquirido vai para comprar a polícia corrupta que faz vista grossa para esse trâmite. E sabem o que é o pior disso? Esqueceram de pagar uma policial, que é o contraponto no meio dessa história.

Kickboxer: A vingança do Dragão
Gina Carano está no filme, mas com atuação deprimente

Esta policial em questão, é o par romântico de Kurt Sloane (Moussi) no filme e eles começam um romance muito, mas muito forçado e sem química alguma. Enfim… É tenso até de comentar pois ele não faz sentido. No filme original, o romance ocorre pelas circunstâncias já de forma muito meia-boca, mas fazem sentido pela garota ser sobrinha do mestre e conviver diariamente com Sloane. Aqui não… Eles mais discutem do que tudo e do nada, estão fazendo amor. É muito, muito sem noção!

Outro detalhe ridículo do filme, é que todos os ângulos de câmera nos combates parecem ter sido filmados pela aquela nossa tia que tem dificuldades com tecnologia e filma tudo tremendo. Fora, que no filme todo, nenhum golpe é filmado do começo ao fim. Todo soco começa em um ângulo e termina em outro. Chutes espalhafatosos sem sentido algum permeiam o filme por todos os lados e golpes sem impacto algum, estão em cada combate do filme. Toda escolha para edição dos combates, fez lutadores experientes como Georges St. Pierre e Caín Velásquez parecerem novatos nas artes marciais. Os ângulos escolhidos para as sequências são tão ruins, que a impressão que nos dá é de que eles não sabem lutar. Isso é incrivelmente preocupante, quando falamos em relação aos lutadores supracitados. A título de informação, George St. Pierre viveu um vilão conhecido da Marvel chamado Batroc, o Saltador em Capitão América: Soldado Invernal, e a absurda diferença da qualidade de direção, coreografia e filmagens, nos trouxe uma das melhores sequências de combate mano-a-mano da atualidade. Vejam o vídeo abaixo de como St. Pierre, bem dirigido e com ótima coreografia, e SEM CÂMERA COM PARKINSON, é brilhante lutando:

Cena filmada em ângulo tranquilo, com poucos cortes e mostrando muita destreza. É tão difícil assim fazer igual?

Ok! Mas aí vocês me perguntam: “E o Van Damme, salva o filme?”. Não… Não salva. E me dói o coração dizer que ele ajuda a afundar o barco.

Jean-Claude Van Damme é incontestavelmente, o único artista marcial que teve carreira de sucesso a nível blockbuster. Seu maior sucesso, o Grande Dragão Branco, é considerado pela grande maioria dos fãs de filmes do subgênero de artes marciais, um clássico cult, tamanho o sucesso do filme. Tudo o que se seguiu na carreira de Van Damme após o início de seu declínio em torno do ano de 1994/1995, foram situações oriundas de suas escolhas e principalmente, de seu sucesso astronômico. Van Damme vinha tentando voltar ao jogo e até mesmo sua participação em Mercenários 2, foi uma ótima surpresa. Mas aqui, o peso da direção e do roteiro se mostraram demais até mesmo pra um ator experiente em filmes de artes marciais como Van Damme. Além de sua péssima atuação como Durand, mostrando um mestre sem credibilidade alguma e que solta palavras de efeito hipócritas ao vento, a direção e coreografia das lutas fez questão de estragar inclusive os ainda incríveis chutes de Van Damme. Outra coisa ridícula de Kickboxer: A vingança do Dragão, é que a interação entre Sloan e Durand é tão caricata e patética, que nem as piores esquetes do Zorra Total conseguiriam superar. Chega a ser deprimente!

Kickboxer: A vingança do Dragão
Van Damme, como o caricato mestre Durand.

Ah…. E a trilha sonora? Bom… ela é bacana, mas nem de longe é épica como os hits de Paul Hertzog em 89. Outra coisa que é de se comentar e se elogiar no filme, é a fotografia do filme. De fato, ela tem ótimos momentos. Porém, os elogios acabam aqui.

Então Kickboxer: A vingança do Dragão, não vale a pena?

Uma coisa que eu sempre digo pra todo mundo, é que mesmo que eu fale bem ou fale mal, eu recomendo que a pessoa assista ao filme e que tire suas conclusões. Eu nunca fui a favor de regular o divertimento alheio. Mas, para mim, Kickboxer: A vingança do Dragão não foi uma boa experiência. Ele não se dá bem como filme de artes marciais, não se dá bem como filme de comédia, não se dá bem como filme de drama e com certeza, é de longe um dos remakes mais sem vontade que já vi. Porém, ele pode ser um filme que te agrade. Não vou negar, que sou um fã confesso de Van Damme. Se hoje eu treino artes marciais, foi por causa dele, e sempre fico feliz de ver ele tentando voltar a fazer filmes. Mas, ele já é bem grandinho pra saber quando vai entrar em uma bomba. Enfim galera, o filme tentou, mas não conseguiu o objetivo.

NOTA DO REDATOR: 1,5/5,0

E vocês? Já assistiram Kickboxer: A vingança do Dragão? Gostaram? Pretendem assistir? Coloquem aí pra mim nos comentários! Obrigado, e até mais!

Léo Palmieri

Léo Palmieri

Pai, marido, nerd. Fã do Surfista Prateado e do Superman, juntou uma equipe de super-pessoas para trabalhar no projeto Crossover NERD com o intuito de divulgar o belíssimo mundo geek!

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