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CENSURA – Um ato que traz Irresponsabilidade e Oportunismo

No último fim de semana, começou no Rio de Janeiro a Bienal do Livro de 2019, um maravilhoso evento que celebra a leitura em nosso país em suas diversas formas. A Bienal tem como premissa aproximar os leitores de seus autores favoritos, participar de bate-papos importantes e ser no final de tudo, um ótimo evento de entretenimento. O Melhor de tudo é, ele é feito para todos! Não existem barreiras! Pelo menos, não deveriam…

A CENSURA

Pois é, mas nem um evento maravilhoso como a Bienal do Livro, pode se livrar das intenções de terceiros. Na noite antes do evento começar, o Prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella fez um vídeo, dizendo que o Exemplar da Coleção da Marvel pela Salvat “A Cruzada das Crianças” estaria sendo proibido de ser comercializado no evento, por conter imagens impróprias a crianças e adolescentes e que este conteúdo deveria ser embalado em um recipiente “preto” com os dizeres +18. Na reportagem abaixo do SBT, está a matéria junto com o vídeo do prefeito explicando seu ponto de vista.

Obviamente, tanto as editoras que estariam na Bienal, quanto as pessoas favoráveis a liberdade de expressão, foram contra esta decisão do prefeito, já que ela tecnicamente se caracteriza, como censura.

O Prefeito ainda tentou se explicar, usando o estatuto da criança e do adolescente, para justificar seu ato e fez ainda uma solicitação ao STF sobre a atitude. Obviamente, o STF entendeu que esta atitude do prefeito também foi descabida.

No final de tudo, este exemplar foi esgotado no evento. Não só quem é a favor da liberdade de expressão, mas como também o movimento LGBT, fizeram protestos no local e nas redes sociais e de certa forma, aumentaram o marketing do evento, da HQ e trouxe à tona novamente, o assunto sobre preconceito contra os homosexuais. E por quê? Porque dentro do exemplar todo, de quase 270 páginas, existe uma única imagem de um beijo entre os personagens Wiccano e Hulkling. Contextualizando, Wicanno é a reencarnação da alma do “filho” da Feiticeira Escarlate com o Visão e Hulkling, é filho de Mar-Vell, um Kree com a princela Anelle, uma Skrull. Só a origem destes dois heróis, já os torna diferentes do “convencional”. Mas ora, são quadrinhos! O conceito de convencional e ficção, andam lado-à-lado e as vezes, separados. Se levarmos em consideração atos de preconceito, eles existem tanto nos quadrinhos, quanto na vida real.

O Beijo…

No final, a atitude do prefeito com certeza não surtiu o resultado que ele queria. Ou talvez, era o que ele queria…

IRRESPONSABILIDADE E OPORTUNISMO PELA CENSURA

Vale lembrar, que a Bienal é um evento que traz pessoas de todo o país. De leitores a autores, tem de tudo no evento. Existem publicações diversas e o evento de certa forma, alimenta as verbas da cidade do Rio de Janeiro com o Turismo e com os impostos gerados pelos organizadores do evento. Levando em consideração que toda a venda é declarada, a arrecadação do evento é muito alta.

Agora pensem comigo… Em uma época onde as pessoas andam se pegando na internet em discussões por divergência de opiniões, que tal uma polêmica para apimentar o evento? Agora, me falem, quem é sempre o alvo desse tipo de manobra vil? O Movimento LGBT, o movimento feminista ou os afrodescendentes.

O Prefeito poderia muito bem utilizar um quadrinho do Conan, como exemplo de um quadrinho não apropriado para crianças e adolescentes pelo alto nível de violência. Quem sabem até, quadrinhos como The Boys de Garth Ennis, que obviamente tiveram procura no evento, após o seriado ter estreado no Brasil pela Prime Video e que são lotados de cenas de sexo e bizarrices violentas. Outro exemplo de quadrinhos muito procurados e que também estão em alta, são quadrinhos do Justiceiro que são notórios pela violência exacerbada. Ou seja, se o real intuito é “proteger” as crianças e adolescentes de conteúdos “impróprios“, alguma coisa não bate no discurso.

Censura
The Boys… Abuso sexual e violência Exacerbada

Aí temos duas alternativas. A HQ foi censurada por puro preconceito ou, o prefeito maldosamente fez a polêmica para multiplicar os ganhos do evento, se utilizando mais uma vez do movimento LGBT. Vale lembrar, que políticos são conhecidos por mentirem muito bem… De qualquer forma, a atitude é vil, não importa como foi usada.

Este que voz escreve, lê quadrinhos desde os 6 anos de idade. De Turma da Mônica ao mais violentos e bizarros quadrinhos, quem sempre olhou os conteúdos que eu lia era minha mãe. Sim, minha mãe. Até eu me tornar um adulto e escolher o que ler, minha mãe sempre esteve atenta ao que eu lia. E o que quero dizer com isso?

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QUEM OBSERVA E JULGA SE O CONTEÚDO É PRÓPRIO, SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA CRIANÇA E PELO ADOLESCENTE!

O Estado, o prefeito, ou qualquer poder fora do âmbito familiar, não pode definir o que as pessoas devem ler, aprender, fazer. Entendo que temos uma constituição, mas ela é feita para garantir os direitos dos cidadãos como um todo. O estado não pode interferir ideologicamente em nada. Nem com religião, nem com a opinião da orientação sexual dos outros. Vale lembrar, que todos somos IGUAIS. Todos nós pagamos impostos, trabalhamos, tentamos sobreviver do mesmo jeito. Quem separa as pessoas, são as ideologias e que pasmem! São fortalecidas pelas brigas políticas dentro do país.

Sobre a “Cruzada das Crianças”

Se esta HQ merece algum tipo de menção, é que o arco em si é muito ruim. Não pelos personagens e muito menos pelo “escandaloso” beijo gay e sim, por ser uma história mal escrita mesmo. Os desenhos são ótimos, mas os roteiros não.

Esta HQ, faz parte da Coleção Marvel da Salvat, que está sofrendo encalhe de vendas. Estava a venda nas bancas por R$39,90. Porém, logo após todo o “marketing” do prefeito Crivella, esta HQ passou a ser vendida na internet em grupos de compra/Venda de quadrinhos e no Mercado Livre, com preços exorbitantes. Vejam bem! Tem pessoas que venderam este quadrinho, por R$200,00 reais OU MAIS . E em pelo menos 80% dos casos, o quadrinho já estava usado. É muita má fé! E detalhe, além desta HQ ter se esgotado na Bienal, na Amazon, nas Bancas e em qualquer outro lugar, haviam pessoas que nem quadrinhos consumiam, comprando a HQ em forma de protesto. É claro, o protesto é válido… Mas o pessoal que protesta tem que parar para pensar antes de ser enganado na hora da revolta.

Vender a R$200,00, uma HQ “censurada”, para se aproveitar mais uma vez dos movimentos LGBT, é também uma sacanagem sem tamanho… Aliás, dando meio que uma olhada nos perfis dos vendedores, tem sempre aquela frases de efeito: “Mais um dia Honesto de Trabalho“, “Deus te Ama“, “Ama o próximo“, “Por um Brasil melhor“… Aí o hipócrita, vai lá e faz esse tipo de sacanagem com seus semelhantes…

Fora isso também, Youtubers que eu não citarei aqui, se aproveitaram do evento para se autopromover. Sim, hoje em dia levantar bandeiras ideológicas é um método vil de se conseguir seguidores. Por dentro e em suas vidas pessoais, eles geralmente são o oposto do que mostram nas telas.

Agora vejam… Não estamos aqui levantando nenhum tipo de bandeira política, ideológica ou qualquer outra coisa… Estamos apenas discutindo consequências. E elas foram de boas a ruins… Acompanhem!

Boas consequências:

  • Mostrou que pensamentos diferentes podem concordar em muitas coisas, ainda mais quando se trata de censura em uma mídia consumida por todos;
  • Os Brasileiros estão percebendo que se interessar em conhecer como as leis do Brasil funcionam, pode ajudar o país a crescer;
  • A Bienal este ano vendeu publicações pra dedéu;
  • Trouxe os quadrinhos de volta as notícias.

Consequências ruins:

  • Mostrou que o Estado está pouco se lixando para nós e se eles decidirem que devem intervir na sua decisão com seus filhos, eles vão censurar;
  • Mostrou que ainda temos um longo caminho como seres humanos, no que se diz a respeito;
  • A Internet se tornou um campo de batalha;
  • Mostrou que nos “conflitos”, sempre vai ter alguém que vai lucrar com a desgraça dos outros.

Portanto queridos amigos, espero que entendam este texto de reflexão. À comunidade LGBT, saiba que aqui no Crossover NERD vocês são sempre bem vindos e garantimos aqui, que o conteúdo é lançado para todos, não importa a ideologia. O Mundo Geek/Nerd é de direito de todos.

Obrigado pela atenção e até Mais!

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Léo Palmieri

Pai, marido, nerd. Fã do Surfista Prateado e do Superman, juntou uma equipe de super-pessoas para trabalhar no projeto Crossover NERD com o intuito de divulgar o belíssimo mundo geek!

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