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Bungo Stray Dogs – Pancadarias sobrenaturais entre mafiosos e detetives

Não é de hoje que a temática mafiosa, dos bandidos estilosos discutindo seus planos em salas mal iluminadas, atiça o imaginário das pessoas. Juntando-se a isso uma pitadinha de “sobrenaturalidade”, tem-se um excelente anime de ação que une o melhor dos bons e velhos jogos de poder entre gangues e homens da lei, com a possibilidade de pancadarias épicas e muito apelonas (animadas pelo estúdio Bones ainda! Só imaginem…).

Bungo Stray Dogs, para mim, reúne uma gama fabulosa de qualidades nos mais diversos aspectos (roteiro, design, animação, trilha sonora… Essa última, nossa! É incrível) e é uma obra que deveria receber muito mais amor e reconhecimento. Então, justamente por isso, hoje estamos aqui para enaltecer esse ícone e falar sobre suas várias características, curiosidades e minha impressão pessoal (se isso valer de algo para você). Tudo SEM SPOILERS!

Bungo Stray Dogs

Quem faz acontecer?

Então vamos por partes. Primeiramente, o mangá é um seinen escrito por Kafka Asagiri e ilustrado por Sango Harukawa; as publicações começaram em 2012, primeiro pela revista Young Ace, depois pela editora Kadokawa, onde segue até hoje. Aqui no Brasil quem detém o licenciamento é a editora Planet Manga. Em 2014 começou a ser serializada uma versão da história em Light Novel também, mas não tem no Brasil, meninas!

Sobre o anime, como já dito, quem anima é o estúdio Bones. As duas primeiras temporadas foram ao ar em 2016 e a última é fresquinha, deste mesmo ano de 2019, sendo então 3 temporadas no total, todas com 12 episódios cada. Há também um OVA (Bungo Stray Dogs: Hitori Ayumu), lançado em 2018 e um filme (Bungo Stray Dogs: Dead Apple), também de 2018. Dá pra assistir tudo na Crunchyroll e com dublagem, se preferir!

Bungo Stray Dogs

É importante assistir esses dois “extras” (OVA e filme), já que eles são bastante relevantes na história (principalmente o filme), além de serem muito legais. A recomendação é que você assista tudo na ordem de lançamento, que também é a ordem cronológica, e assim não vai dar uma de Capitão América e ficar boiando nas referências.

Feitas as considerações iniciais e técnicas, vem com a tia Mari para nos aprofundarmos mais nas partes que tocam o kokoro (já falei que não tem spoiler, vem sem medo).

O Enredo de Bungo Sray Dogs

A história vai acompanhar um garoto, Atsushi Nakajima, que acaba entrando para a “Agência de Detetives Armados” após ser salvo por eles de seu próprio poder. Lá, o garoto encontra um grupo bem estranho de pessoas, com diversificados tipos de poderes e para quem o governo designa os casos mais misteriosos e/ou perigosos da cidade.

Bungo Stray Dogs

Eu sei que falando assim parece que o que vamos encontrar será um anime estilo Xeroque Romes, com o meme da Nazaré confusa pipocando na sua cabeça o tempo todo, mas as partes investigativas propriamente ditas são poucas se comparados aos momentos de luta. Digamos que os vilões estão mais preocupados em agir do que ser misteriosos. Exceto talvez pelo da terceira temporada? Sim, mas ainda assim convenhamos que tudo se resolve com pancadaria mesmo. O nome da organização não é “Detetives ARMADOS” à toa.

Bungo Stray Dogs

No que concerne a raciocínios lógicos e momentos de diálogos expositivos, eles servem mais para certos personagens introduzirem na história seus poderes de dedução do que qualquer outra coisa. Eles passarão mais tempo executando os planos que eles já pensaram, sem perder tempo te explicando tudo tim-tim por tim-tim.

Curiosidade

Essa obra tem uma peculiaridade bastante marcante: Todos os personagens da história (seus nomes, personalidades e poderes) fazem referências a autores famosos da literatura mundial (com maior foco na japonesa) e suas obras.

Eu deixei essa passar quando estava assistindo, devo admitir. Até reconheci algumas das referências ocidentais, como Herman Melville (Moby Dick), Dostoievsky (Crime e Castigo) e F. Scott Fitzgerald (O Grande Gatsby), mas as orientais foram uma informação nova e bem-vinda. Depois de pesquisar um pouco ficou claro o esforço do autor em sua pesquisa e o empenho em traduzir tantos detalhes, que poderiam ter resultado em algo muito chato e sem personalidade própria, em algo empolgante e inovador. Deu até vontade de passar numa livraria! Cada poder, cada trejeito é bem costurado com o enredo da obra e encaixa com naturalidade naquela realidade.

Osamu Dazai e uma de suas obras (em japonês, “Ningen Shikkaku”, que dá nome ao poder do personagem de BSD e cujo significado mais literal seria “Não Humano”)

O personagem que vale o destaque com certeza é Osamu Dazai. Sua versão em carne e osso é tão peculiar quanto a que nos é apresentada no anime. É surpreendente descobrir que algumas coisas não foram tão “aumentadas” para deixar tudo mais interessante. O homem realmente era um galanteador pessimista obcecado por suicídios, tendo sido essa a causa de sua morte, junto de sua esposa, pouco antes de seu aniversário de 39 anos (seu corpo foi encontrado na data).

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Espero sinceramente que o Dazai dos animes permaneça vivo e não só por ele ser um personagem muito bom. Seria legal que eles trouxessem um desfecho diferente para a vida desse homem, mostrando que o suicídio pode sim ser prevenido e que com o tratamento e acolhimento certos todos podem superar essa triste realidade.

(Lembremos: #setembroamarelo #CVV188)

QUE MENSAGEM PODEMOS TIRAR DE BUNGO STRAY DOGS?

Bungo Stray Dogs traz muito a reflexão sobre pertencimento e identificação, sobre o alívio de ser aceito, seja por alguém ou por um grupo, que valide o seu direito de viver, mesmo repleto de falhas, te ajudando a evoluir. Então, meio que todo mundo aqui é um “cão sem dono” mesmo (stray dog), errantes rechaçados pela vida e que encontraram seus lugares perto de semelhantes de mesma natureza, unidos pelos mesmos ideias e subordinados a líderes nos quais acreditam.

Por isso seremos apresentados a diversas organizações e grupos de pessoas, os quais serão praticamente personagens próprios, com objetivos e modus operandi bastante distintos. Porém, eu diria que há uma exceção a essa regra, que confunde essa reflexão e promove um genuíno questionamento de “onde é que esse maluco se encaixa??”.

Sim, estamos falando dele de novo. Dazai é o personagem que tem dor de tanto carregar essa bagaça nas costas. O protagonista, Atsushi, é simpático, tadinho, mas não consegue sair da sombra de seu colega “coadjuvante”. O que não é defeito não, viu. Apesar de não conseguir se destacar, ele também não atrapalha como alguns protagonistas que eu conheço *cof* Shinji de Evangelion *cof*.

Como ainda estamos evitando spoilers, vamos apenas resumir Dazai como uma incógnita. Não sabemos até onde vão seus limites e é impossível entender suas motivações, sendo mais fácil defini-lo pelos grupos do qual faz parte, do que pelo que realmente demonstra como indivíduo. E não que outros personagens não manifestem essa dualidade entre o bem o mal e tragam à tona aquela velha discussão sobre “fins versus meios”, é só que Dazai leva isso a um extremo, praticamente beirando a loucura.

No mais, é legal dizer que os personagens, no geral, têm um desenvolvimento muito bom e vemos diversas progressões nos arcos de cada um ao longo das temporadas. O roteirista e o diretor fizeram um excelente trabalho ao contar essa história, principalmente na segunda temporada, que é a minha favorita. Achei impressionante como tudo progrediu, emocionou e entregou aos poucos os grandes acontecimentos.

Mesmo aqueles que são os vilões da história acabam evoluindo de maneira natural, sem trair o que já foi estabelecido para o personagem. Então, não pense você que verá clichês sobre redenções sem sentido e todos aceitando Jesus, porque foram derrotados pelo poder da luz e da amizade. É mais fácil acontecer o contrário (inclusive, vi umas coisas que me deixaram com a pulguinha atrás da orelha na terceira temporada). Alguns até vão mudar de lado, mas é aquela coisa… Onde há luz, inevitavelmente sempre haverá escuridão também (MUAHAHA).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

E é isso pessoal! Assistam a Bungo Stray Dogs, esse anime maravilhoso! Como eu disse lá em cima, tem na Crunchyroll, mas você pode achar por aí com facilidade. Eu prometo que esse roteiro vai te surpreender a cada episódio, aqui a gente dá só uma pincelada para instigar a curiosidade.

Se tiver alguma consideração a fazer sobre o review, deixa aí nos comentários para gente sempre melhorar! Até a próxima!

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Mari Bortuluzzo

Mari Bortuluzzo

Universitária porque o capitalismo obriga e otaku por amor. Já que não dá pra engrenar na carreira de Hokage, a gente escreve sobre os nossos animes favoritos e espalha a palavra desse universo tão vasto e divertido.

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